A Meta apresentou no evento Connect 2026 o Meta VR Glasses, um dispositivo de realidade virtual e mista com formato semelhante ao de óculos convencionais. A principal aposta do produto está no peso: segundo a empresa, o equipamento terá aproximadamente 100 gramas. O lançamento está previsto para a primavera de 2027 nos Estados Unidos, pelo preço anunciado de US$ 1.299,99.
Para reduzir o volume sobre o rosto, a Meta transferiu bateria, armazenamento e processamento para um módulo externo conectado aos óculos por um cabo óptico. O acessório poderá ser preso ao bolso ou à bolsa, enquanto o visor concentra a exibição das imagens e os sensores necessários para a interação. A estratégia tenta enfrentar uma das principais limitações dos headsets atuais: o desconforto provocado pelo peso e pela distribuição dos componentes.
O anúncio foi divulgado em 23 de setembro de 2026, durante o Meta Connect 2026, e a publicação oficial da empresa recebeu atualização no dia seguinte. A Meta descreve o dispositivo como uma plataforma para entretenimento, produtividade, comunicação e jogos, e não apenas como um visor voltado à realidade virtual.
Óculos mais leves com processamento externo
O Meta VR Glasses terá telas micro-OLED com resolução 5K, rastreamento ocular e reconhecimento de gestos das mãos. Com esses recursos, a empresa afirma que será possível navegar por conteúdos e executar determinadas aplicações sem o uso de controles físicos. O equipamento também contará com integração a recursos de inteligência artificial, embora a Meta não tenha divulgado, na pauta apresentada, todos os detalhes técnicos sobre o funcionamento desses recursos.
A separação entre os óculos e o módulo externo é o elemento central do projeto. Em vez de concentrar todos os componentes no dispositivo usado no rosto, o desenho distribui parte da estrutura para uma unidade conectada por cabo. Isso pode contribuir para o conforto durante o uso, mas também cria uma dependência física do módulo e do cabo, fator que deverá ser avaliado quando o produto chegar ao mercado.
As especificações anunciadas ainda não esclarecem aspectos como autonomia da bateria, dimensões do módulo, resistência do cabo ou disponibilidade em outros países. Também não há, nas informações apresentadas, confirmação sobre a chegada do dispositivo ao Brasil. Como o lançamento está previsto apenas para 2027, detalhes de hardware, software e distribuição ainda podem ser divulgados ou modificados pela empresa.
Cinema, jogos e telas virtuais
Entre as experiências prometidas está um ambiente de cinema pessoal, com suporte a filmes em 3D e acesso a serviços de streaming. A Meta também apresentou recursos para acompanhar eventos esportivos em formato imersivo de 180 graus. A proposta é ampliar a sensação de presença do usuário, usando o campo de visão do dispositivo para criar experiências que se aproximem de uma transmissão dentro do ambiente virtual.
Na produtividade, o Meta VR Glasses poderá exibir múltiplas telas virtuais, permitindo organizar janelas em um espaço digital ao redor do usuário. A empresa também afirma que o produto terá acesso ao ecossistema Meta Quest, o que amplia sua conexão com a plataforma de jogos e aplicativos de realidade virtual da companhia.
De acordo com a Meta, mais de 75 jogos compatíveis com interação por gestos estarão disponíveis no lançamento. A informação indica uma tentativa de tornar as mãos uma forma relevante de controle, especialmente em experiências que não dependem de comandos tradicionais. Ainda assim, a qualidade dessa proposta dependerá da precisão do rastreamento, do catálogo de títulos e da adaptação dos desenvolvedores ao novo formato.
Preço e desafios para a realidade virtual
O preço de US$ 1.299,99 posiciona o Meta VR Glasses acima de consoles tradicionais e de headsets de entrada. Ao mesmo tempo, o valor anunciado fica abaixo do Apple Vision Pro, segundo o contexto apresentado pela pauta. A Meta, portanto, busca ocupar uma faixa premium, combinando menor peso com telas de alta resolução, recursos de inteligência artificial e acesso a conteúdos de entretenimento e produtividade.
O projeto também representa uma mudança na forma de pensar os óculos de realidade virtual. O dispositivo tenta aproximar a tecnologia vestível do formato de óculos, mas mantém a necessidade de um componente externo para fornecer energia e capacidade de processamento. O resultado pode oferecer mais conforto no rosto, embora não elimine completamente os acessórios e limitações físicas associados ao uso prolongado.
O Meta Horizon OS Developers também destacou recursos destinados à criação de experiências para o novo dispositivo. A disponibilidade de ferramentas e conteúdos será decisiva para a plataforma, especialmente porque o produto pretende reunir jogos, streaming, esportes imersivos e estações de trabalho virtuais em um único equipamento.
Por enquanto, o Meta VR Glasses permanece como um anúncio com lançamento futuro. Peso, preço e recursos divulgados dão uma indicação da direção escolhida pela Meta, mas autonomia, conforto real, desempenho e alcance internacional só poderão ser avaliados com testes e informações adicionais. A chegada prevista para 2027 deverá mostrar se o formato de óculos com módulo externo consegue ampliar o público da realidade virtual sem abrir mão da capacidade exigida por aplicações imersivas.
Fontes utilizadas
As informações foram baseadas no anúncio oficial da Meta Newsroom, no material para desenvolvedores do Meta Horizon OS Developers, na cobertura do UploadVR e no contexto publicado pela Associated Press.