A partir de 15 de junho, o aplicativo deixa de funcionar nos dispositivos Quest e passa a existir apenas em smartphones.
A Meta confirmou que o Horizon Worlds, plataforma que nasceu como o coração do projeto de metaverso da empresa, deixará de funcionar nos headsets Quest a partir de 15 de junho de 2026. A partir dessa data, o aplicativo só estará disponível para smartphones com iOS e Android. A decisão chega quatro anos depois de Mark Zuckerberg ter mudado o nome da companhia de Facebook para Meta, justamente para sinalizar a aposta no universo dos mundos virtuais imersivos. Mundo Conectado
O anúncio levanta uma dúvida recorrente entre quem acompanha o setor: o que de fato motivou esse recuo, e o que acontece agora com quem investiu tempo e recursos dentro da plataforma? A resposta passa por números financeiros expressivos, uma mudança de prioridade estratégica dentro da empresa e um relançamento gradual do projeto fora dos óculos de realidade virtual.
Por que a Meta está abandonando o metaverso em realidade virtual
O desligamento do Horizon Worlds nos headsets não é uma decisão isolada, mas o desfecho de um processo que já vinha se desenhando há algum tempo. Em 2021, Mark Zuckerberg fez uma das apostas mais audaciosas da história recente do Vale do Silício ao mudar o nome da empresa para Meta e declarar que o metaverso seria o futuro da interação humana. Quatro anos depois, o projeto que deveria sustentar essa visão perdeu espaço dentro da própria companhia. Startse
Os números ajudam a explicar o movimento. A divisão Reality Labs, responsável pelo desenvolvimento de realidade virtual e óculos inteligentes, perdeu quase 80 bilhões de dólares desde 2020. Diante desse cenário, a empresa intensificou os cortes: no mês anterior ao anúncio, cerca de 1.500 funcionários da divisão foram demitidos, e vários estúdios de jogos em realidade virtual foram encerrados. Outro projeto que sentiu o impacto da reestruturação foi o aplicativo de fitness em VR Supernatural, adquirido pela Meta em 2023, que deixará de produzir novos conteúdos e passará para um modo de manutenção. O conjunto dessas medidas mostra que o fim do Horizon Worlds em headsets é parte de uma reorganização muito mais ampla dentro da empresa. Boa Informação + 2
O que muda para quem usa o Horizon Worlds e para onde vai o investimento da Meta
Na prática, o desligamento ocorre em etapas e já começou antes da data final. A partir de 31 de março de 2026, o Horizon Worlds deixou de aparecer na loja dos headsets Meta Quest, junto com o aplicativo Events, e os mundos de interação Horizon Central, Events Arena, Kaiju e Bobber Bay foram removidos da plataforma. A etapa final chega em meados de junho, quando o aplicativo deixa de existir dentro dos óculos de realidade virtual por completo. Outra funcionalidade que acompanha esse desligamento é a Hyperscape Capture, recurso ainda em fase de testes que permitia a criação de espaços tridimensionais baseados em locais reais para reunir avatares. Startse
Apesar do recuo na realidade virtual social, a Meta sustenta que o ecossistema de hardware criado em torno do Quest continua relevante. Segundo dados internos citados pela própria empresa, 86% do tempo efetivo que os usuários passam nos headsets é consumido com aplicativos de desenvolvedores independentes, e não com produções próprias da companhia. Isso explica por que a separação entre o Horizon Worlds e o ecossistema Quest é apresentada como uma forma de dar mais espaço para que o catálogo de terceiros continue crescendo. Enquanto isso, o capital que antes seria direcionado ao metaverso social migra para outras frentes. Os novos investimentos da companhia se concentram em inteligência artificial, incluindo a busca declarada por superinteligência, e em óculos inteligentes, segmento em que a Meta se posicionou como referência com os Ray-Ban Meta. Mundo ConectadoOlhar Digital
O futuro do Horizon Worlds fora dos headsets
O fim do app nos óculos não significa o fim do projeto como um todo. A Meta já vinha sinalizando, desde fevereiro, que o Horizon Worlds passaria a ser tratado como um produto majoritariamente voltado para dispositivos móveis. A ideia é alcançar um público maior do que o atual universo de usuários de headsets, que ainda é relativamente pequeno em comparação ao total de usuários de smartphones no mundo.
Vale lembrar que a empresa não abandonou completamente os investimentos em realidade virtual como categoria de produto. Em 2025, a Meta destinou quase 150 milhões de dólares em programas para desenvolvedores, e o serviço de assinatura Meta Horizon+ ultrapassou 1 milhão de assinantes ativos, com um catálogo de mais de 100 jogos. Isso indica que o Quest, como plataforma de jogos e experiências imersivas de terceiros, continua sendo prioridade, mesmo que o sonho original de um metaverso social abrangente tenha perdido força. Para o público interessado em tecnologias imersivas, o episódio reforça que o setor de VR e metaverso está em plena reconfiguração, com o capital migrando para frentes consideradas mais maduras e rentáveis no curto prazo. Mundo Conectado
O encerramento do Horizon Worlds nos headsets marca o fim simbólico de uma das apostas mais comentadas da história recente da tecnologia, mas não representa o apagar das luzes do conceito de metaverso como um todo. A experiência migra de formato, concentra-se no público mobile e convive, dentro da própria Meta, com investimentos crescentes em inteligência artificial e óculos inteligentes. Para o usuário comum, o efeito prático é simples: quem ainda usa o Quest para acessar mundos sociais precisará migrar para o aplicativo no celular a partir de meados de junho. Já para o mercado, o episódio funciona como um lembrete de que visões tecnológicas ambiciosas exigem validação real, e nem sempre seguem o roteiro originalmente planejado pelas empresas que as criaram.
Fontes consultadas:
- https://www.mundoconectado.com.br/realidade-virtual/meta-encerra-acesso-vr-horizon-worlds-junho-2026/
- https://olhardigital.com.br/2026/03/18/pro/fim-do-metaverso-meta-desativa-app-de-realidade-virtual-em-oculos-inteligentes/
- https://www.startse.com/artigos/o-metaverso-acabou-e-a-meta-ja-estava-de-olho-na-proxima-aposta-ha-tempo/
- https://boainformacao.com.br/2026/02/o-metaverso-do-meta-deixa-a-realidade-virtual/
Autor: Diego Rodríguez Velázquez