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Tecnologia

Meta encerra o Horizon Worlds: o que sobra da promessa do metaverso em 2026?

Por Diego Velázquez 18 de junho de 2026 7 Min de leitura
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Após anos de investimento bilionário, a divisão de realidade virtual da Meta perde espaço para a inteligência artificial e os óculos inteligentes.

Contents
O cronograma de encerramento do Horizon WorldsPor que a Meta abandonou o metaverso que ela mesma criouPara onde vai o dinheiro que antes era do metaverso

Quem comprou um headset de realidade virtual nos últimos anos para explorar mundos digitais talvez esteja se perguntando agora se valeu a pena. Em 16 de junho de 2026, o aplicativo Horizon Worlds deixou de funcionar definitivamente nos dispositivos da Meta Quest, encerrando o projeto que, em 2021, levou Mark Zuckerberg a trocar o nome da empresa de Facebook para Meta. À época, a promessa era ambiciosa: o metaverso se tornaria o novo capítulo da internet, um espaço onde pessoas trabalhariam, socializariam e fariam compras por meio de avatares. Cinco anos depois, esse capítulo chegou ao fim sem grande alarde. Para quem acompanhou de perto essa história, a pergunta que fica é simples. O que motivou essa virada e o que a Meta pretende fazer agora com o dinheiro que antes ia para os mundos virtuais?

O cronograma de encerramento do Horizon Worlds

O desligamento não aconteceu da noite para o dia. O cronograma foi anunciado oficialmente em 17 de março, com o processo dividido em etapas: a partir de 31 de março, o aplicativo deixou de aparecer nas lojas dos headsets Meta Quest, assim como o aplicativo de eventos da plataforma, e os mundos de interação Horizon Central, Events Arena, Kaiju e Bobber Bay foram removidos um a um, até a remoção completa do aplicativo dos headsets em 16 de junho. Para os usuários que ainda mantinham avatares, propriedades virtuais ou conexões sociais dentro do aplicativo, o aviso chegou com meses de antecedência, mas a sensação de perda é real para quem investiu tempo construindo uma identidade digital naquele espaço. Startse

A decisão chama atenção porque o Horizon Worlds era a peça central da estratégia que deu origem ao próprio nome da empresa. A Reality Labs, divisão responsável pelos headsets de realidade virtual e pelo metaverso, segue acumulando prejuízos bilionários enquanto Zuckerberg redireciona orçamento para novos dispositivos de inteligência artificial. Diferente de um simples cancelamento de aplicativo, esse desligamento representa o fim de um ecossistema que chegou a hospedar shows, reuniões corporativas e encontros sociais. Quem ainda usa um Meta Quest pode continuar jogando outros títulos de realidade virtual normalmente, mas perde o acesso ao ambiente social apresentado, até pouco tempo, como o futuro da interação humana. InfoMoney

Por que a Meta abandonou o metaverso que ela mesma criou

A resposta está nos números. No início de janeiro, a Meta anunciou o corte de 10% dos empregos na Reality Labs, atingindo principalmente engenheiros de dados, desenvolvedores de software e profissionais de jogos ligados ao metaverso. O relatório de resultados do quarto trimestre, divulgado pouco depois, mostrou a dimensão do problema: o negócio de realidade virtual da empresa perdeu 19,1 bilhões de dólares ao longo do ano, sendo 6,2 bilhões somente no último trimestre. Esse prejuízo ajuda a explicar por que o encerramento do Horizon Worlds aconteceu de forma tão definitiva, em vez de uma simples reestruturação interna. EuronewsEuronews

Vale lembrar que esse não foi um movimento repentino. Nos últimos dois anos, a Meta já vinha demitindo funcionários do setor, encerrando estúdios de jogos em realidade virtual e fechando salas de reunião dentro do próprio metaverso. O fechamento do Horizon Worlds funciona, portanto, como o capítulo final de um processo que já estava em curso. Para analistas do mercado de tecnologia, o episódio reforça uma lição válida para qualquer empresa que aposta pesado em uma tendência sem validação real de consumo: capital, tempo e credibilidade investidos em um projeto que não decola têm custo alto, e a conta normalmente chega depois de alguns anos de tentativa. Startse

Para onde vai o dinheiro que antes era do metaverso

Com o metaverso fora do radar prioritário, a Meta redirecionou seus investimentos para duas frentes específicas. A primeira é a inteligência artificial, incluindo a busca declarada da empresa por superinteligência, um dos objetivos mais ambiciosos do setor de tecnologia atualmente. A segunda frente são os óculos inteligentes, segmento em que a Ray-Ban Meta já vinha mostrando resultados mais consistentes do que os headsets de realidade virtual. Zuckerberg afirmou, na divulgação dos resultados trimestrais, que a empresa continuaria desenvolvendo seu negócio de realidade estendida, com destaque para os óculos com inteligência artificial integrada. Startse

Esse movimento de pivô não é exclusivo da Meta. A consultoria Gartner, que havia previsto que uma em cada quatro pessoas passaria pelo menos uma hora por dia no metaverso até 2026, passou a afirmar que o conceito apenas foi mal compreendido pelo mercado. Para pesquisadores do setor, essa virada de discurso abre espaço para que tecnologias de realidade estendida, agora combinadas com inteligência artificial, recebam financiamento renovado, mesmo que o termo metaverso perca força nas estratégias de marketing das grandes empresas. Euronews

O fim do Horizon Worlds não significa o fim da realidade virtual como tecnologia, mas marca o encerramento de uma aposta específica que custou caro e não trouxe o retorno esperado. Quem investiu tempo construindo presença digital na plataforma da Meta precisa buscar alternativas em outros mundos virtuais, enquanto o mercado observa se a aposta em inteligência artificial e óculos inteligentes vai compensar o capital perdido nos últimos anos. O episódio também serve de alerta para empresas brasileiras que avaliam investir em tecnologias imersivas: visão de futuro sem demanda real validada pelo consumidor pode consumir recursos por anos antes que a conta apareça no balanço.

Fontes consultadas:
https://www.startse.com/artigos/o-metaverso-acabou-e-a-meta-ja-estava-de-olho-na-proxima-aposta-ha-tempo/
https://www.euronews.com/next/2026/01/31/nobody-mourns-the-metaverse-what-went-wrong-with-zuckerbergs-vision-and-what-is-next-for-v
https://www.infomoney.com.br/business/meta-corta-10-dos-empregos-na-divisao-de-realidade-virtual/

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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