Famiglia Pierre aposta em telas, cenografia digital e personagens 3D para transformar o jantar em uma experiência imersiva na Serra Gaúcha.
Gramado, um dos principais destinos turísticos do Brasil, prepara uma nova experiência que aproxima gastronomia e tecnologias associadas aos ambientes imersivos. A Famiglia Pierre será uma cantina italiana temática em que o jantar acontecerá simultaneamente a uma narrativa audiovisual, com personagens em animação 3D, cenários digitais e telas incorporadas ao ambiente. A proposta é fazer com que os visitantes não apenas observem uma decoração temática, mas acompanhem uma história que se desenvolve enquanto os pratos chegam à mesa. (gramado.portaldacidade.com)
O empreendimento está previsto para abrir em outubro de 2026, embora fontes recentes apresentem uma diferença na data exata: reportagens publicadas em 20 de agosto indicaram 16 de outubro, enquanto o site atual do próprio restaurante informa abertura em 10 de outubro. A experiência terá como base uma história inspirada na cultura italiana e utilizará recursos digitais para modificar a percepção do espaço ao longo da noite. A iniciativa mostra como conceitos próximos ao metaverso estão chegando ao Brasil também fora dos tradicionais headsets de realidade virtual. (gramado.portaldacidade.com)
Como funcionará a experiência imersiva dentro do restaurante
A história da Famiglia Pierre será conduzida por personagens em forma de ratinhos apresentados em animações tridimensionais. Tchê Pierre aparece como um investigador apaixonado por gastronomia, enquanto seu primo Gennaro é responsável pelo improviso e pela logística. A narrativa também apresenta Nonna Rosa, matriarca da família e personagem que guarda o segredo de uma receita especial. (gramado.portaldacidade.com)
A trama acompanha os personagens em uma viagem pela Itália em busca dos ingredientes necessários para desvendar a receita da família. Em vez de concentrar toda a narrativa em uma única tela, o projeto pretende espalhar acontecimentos pelo salão. Dessa forma, os clientes poderão perceber diferentes situações conforme observam o ambiente durante a refeição. (portaldafolha.com.br)
No salão principal estão previstas seis esquetes de curta duração apresentadas ao longo da experiência. Uma das cenas envolve a tradicional tarantela italiana, enquanto outras acompanham diferentes momentos da aventura dos personagens. A intenção é sincronizar entretenimento e gastronomia sem transformar as telas em simples elementos decorativos. (gramado.portaldacidade.com)
A infraestrutura audiovisual terá nove telas distribuídas em pontos estratégicos e integradas à cenografia e à arquitetura. Entre os ambientes digitais previstos estão Veneza, viagens de trem, a cozinha da Nonna e um porão de queijos e vinhos. Personagens também poderão aparecer em janelas, sacadas e outras partes da ambientação enquanto a narrativa avança. (portaldafolha.com.br)
O que a experiência tem a ver com o metaverso
A Famiglia Pierre não é um metaverso tradicional no sentido de oferecer um mundo virtual persistente acessado por avatares. Sua relação com essa tendência aparece na utilização de cenografia digital, personagens tridimensionais, projeções e narrativa imersiva para adicionar uma camada virtual ao ambiente físico. É uma demonstração de como tecnologias desenvolvidas para experiências digitais também podem transformar espaços presenciais.
Essa abordagem acompanha uma evolução importante da própria ideia de experiência imersiva. Durante o período de maior popularidade do termo metaverso, muitas iniciativas tentavam transportar pessoas para universos completamente digitais utilizando computadores ou equipamentos de realidade virtual. Projetos mais recentes mostram outro caminho: transportar elementos digitais para ambientes físicos e fazer com que as duas experiências funcionem simultaneamente.
No restaurante de Gramado, as telas serão tratadas como partes do cenário, funcionando visualmente como janelas, portas e sacadas. O próprio site do empreendimento descreve uma experiência em que cenários, luzes, sons e projeções conduzem capítulos de uma história durante a refeição. A tecnologia, portanto, não aparece como atração isolada, mas como infraestrutura para construir a sensação de estar inserido na narrativa. (famigliapierre.com.br)
Esse modelo pode ser interessante para o mercado brasileiro porque dispensa uma das maiores barreiras das experiências de realidade virtual: a necessidade de cada participante utilizar um headset. Restaurantes, museus, parques, lojas e atrações turísticas podem incorporar elementos digitais coletivamente por meio de projeções, sensores, telas e cenografia. O resultado aproxima a experiência física da lógica dos mundos virtuais sem exigir que o público abandone o espaço real.
Tecnologia imersiva pode ganhar espaço no turismo brasileiro
Gramado oferece um cenário especialmente interessante para testar esse tipo de experiência. A cidade da Serra Gaúcha possui forte presença de atrações temáticas e empreendimentos que combinam turismo, entretenimento e gastronomia. A Famiglia Pierre pretende atender até 150 pessoas por noite, criando uma experiência coletiva em que diferentes visitantes acompanham simultaneamente a narrativa apresentada pelo ambiente. (gramado.portaldacidade.com)
O projeto também nasceu de uma experiência anterior da equipe responsável pelo empreendimento. Quelvi Ortiz e sua família estão ligados ao Tchê Pierre, fondue temático inaugurado em Gramado em 2023. A nova cantina amplia essa estratégia ao colocar tecnologia audiovisual e personagens digitais no centro da experiência oferecida aos visitantes. (gramado.portaldacidade.com)
Para o setor de tecnologia imersiva, iniciativas desse tipo mostram que o mercado não precisa ficar restrito aos tradicionais jogos de realidade virtual. A mesma lógica de criação de ambientes digitais pode chegar à gastronomia, ao turismo e ao entretenimento presencial. Em vez de vender somente uma refeição, empresas podem utilizar recursos digitais para oferecer experiências narrativas capazes de diferenciar seus espaços.
A Famiglia Pierre representa, portanto, uma aplicação brasileira interessante dessa transformação. O projeto não pretende transportar o visitante para um universo completamente virtual, mas utilizar tecnologia para fazer o ambiente físico se comportar como parte de uma história digital. À medida que projeções, animações 3D, inteligência artificial e outras tecnologias imersivas se tornarem mais acessíveis, experiências semelhantes poderão aparecer em diferentes setores.
O caso de Gramado também ajuda a ampliar a discussão sobre o que realmente significa a chegada do metaverso ao Brasil. Talvez ela não aconteça apenas por meio de grandes plataformas virtuais ou pessoas usando headsets durante horas. A transformação pode ocorrer gradualmente, quando elementos digitais passam a fazer parte de restaurantes, lojas, eventos, escolas e atrações turísticas, tornando a fronteira entre experiência física e virtual cada vez menos evidente.