Parceria entre a Prefeitura paulistana e o TokenNation oferece aulas presenciais sobre blockchain, criptomoedas e realidade virtual no Centro Cultural São Paulo
Enquanto grandes empresas de tecnologia discutem o futuro do metaverso lá fora, a cidade de São Paulo decidiu levar esse debate para dentro da própria administração pública. A Escola Metaverso SP, iniciativa que une a Prefeitura de São Paulo e o TokenNation, ecossistema brasileiro de inovação digital, começou a oferecer aulas presenciais gratuitas sobre blockchain, criptomoedas, Web3 e realidade virtual no Centro Cultural São Paulo. A proposta chama atenção por um motivo simples: em vez de tratar esses temas como algo restrito a especialistas do mercado financeiro ou de tecnologia, o projeto busca formar o cidadão comum, sem exigir qualquer conhecimento prévio sobre o assunto.
O que é a Escola Metaverso SP e como surgiu a parceria
A iniciativa é conduzida pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, a SMIT, em conjunto com o TokenNation. Segundo a própria Prefeitura, o TokenNation nasceu em 2022 como NFT Brasil e evoluiu para uma plataforma que integra blockchain, inteligência artificial e novos modelos de negócios, atuando na promoção de educação e desenvolvimento do mercado de ativos digitais no país.
De acordo com reportagens publicadas pelo Cointimes e pelo Livecoins, as aulas presenciais tiveram início no Centro Cultural São Paulo, o CCSP, registrando mais de 100 inscritos já na primeira semana de funcionamento. O curso foi estruturado em módulos progressivos, combinando base conceitual com experimentação prática, começando pelos fundamentos de blockchain, criptoativos e descentralização antes de avançar para aplicações mais específicas.
Segundo Marco Affonseca, sócio do TokenNation, citado pelo Cointimes, a procura pelas aulas reforça que a demanda por formação estruturada em criptomoedas já ultrapassou o público técnico e especializado, chegando a pessoas que nunca tiveram contato formal com esses conceitos. Já a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia descreve o projeto como uma forma de aproximar a população dos espaços públicos e dos serviços da cidade de maneira interativa, unindo educação pública, tecnologia e inovação digital em uma única frente.
Vale destacar que a iniciativa também se conecta a ações de inclusão digital já realizadas com estudantes da rede pública desde 2023, segundo informações da própria Prefeitura. Isso indica que a Escola Metaverso SP não nasceu isolada, mas como parte de uma estratégia mais ampla da gestão municipal para levar formação em tecnologia a diferentes públicos, incluindo os que normalmente ficam de fora desse tipo de discussão.
Como funcionam as aulas e o que os alunos aprendem na prática
O ambiente virtual criado pelo projeto pode ser acessado por celular, computador e óculos de realidade virtual, mas não exige nenhum desses dispositivos específicos, o que reforça a preocupação com inclusão digital e acessibilidade. Segundo a SMIT, o acesso ao metaverso da cidade acontece principalmente pelo aplicativo Spatial, permitindo que qualquer pessoa participe independentemente do equipamento que possui em casa.
Durante os eventos de apresentação do projeto, o público teve a oportunidade de explorar versões digitais de pontos históricos e simbólicos da capital paulista, como o MASP, a própria sede da Prefeitura, a Catedral da Sé e o Minhocão, alguns já disponíveis e outros ainda em construção dentro da plataforma. Mais do que uma simples representação digital da cidade, a proposta é transformar esse espaço em uma ferramenta de aprendizado, na qual os cidadãos podem consumir conteúdos educativos, participar de atividades lúdicas e, no futuro, acessar serviços públicos dentro de um ambiente gamificado.
Nas aulas presenciais, os temas variam entre fundamentos de criptomoedas, funcionamento de óculos de realidade virtual, primeira experiência imersiva, navegação em ambientes virtuais e uso de avatares em metaversos educativos. Segundo a Prefeitura de São Paulo, a aula inaugural reuniu 130 alunos inscritos, e o programa foi dividido em turmas menores para priorizar o acompanhamento próximo e o aprendizado prático de cada participante.
Para Fábio Ema, artista responsável pelo desenvolvimento do metaverso da cidade de São Paulo, citado pela Exame, a proposta é apresentar o metaverso de forma didática e inclusiva, permitindo que os alunos aprendam interagindo na prática e construindo livremente ambientes virtuais imersivos. Essa fala resume bem o espírito do projeto: menos teoria abstrata e mais experiência direta com as ferramentas.
Por que o poder público está investindo em educação sobre Web3
A decisão de uma prefeitura investir em formação sobre blockchain e metaverso pode parecer, à primeira vista, distante das necessidades mais urgentes de uma grande cidade. Mas o argumento por trás da iniciativa é que essas tecnologias já impactam diretamente o mercado de trabalho, a economia digital e, cada vez mais, os próprios serviços públicos. Formar cidadãos capazes de entender e usar essas ferramentas, segundo os responsáveis pelo projeto, é uma forma de reduzir a distância entre quem já domina esse tipo de tecnologia e quem ainda está de fora dela.
O fato de o projeto ser gratuito e não exigir experiência prévia também é relevante para o debate sobre acesso à tecnologia no Brasil. Iniciativas como essa podem funcionar como uma porta de entrada para jovens e adultos que, de outra forma, dificilmente teriam contato estruturado com temas como blockchain e realidade virtual, ampliando o alcance dessas discussões para além do círculo de investidores e profissionais de tecnologia que normalmente domina esse debate.
Fontes: