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Modelo operacional de TI não é organograma com setas bonitas

Por Sigrid Valden 30 de outubro de 2026 6 Min de leitura
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Rolando Bonaccorsi
Rolando Bonaccorsi

Rolando Bonaccorsi, Diretor de Operações da Vert Analytics, analisa que muita gente acredita que ter um modelo operacional de TI significa desenhar um organograma, com caixas para infraestrutura, desenvolvimento e suporte, ligadas por setas. Essa imagem está incompleta pois o desenho da estrutura é apenas uma das camadas de um modelo que precisa funcionar todos os dias. O organograma mostra quem se reporta a quem, mas não diz como o trabalho flui, quem decide diante de um problema nem como se mede se o serviço entregue está bom.

Contents
O que o modelo operacional realmente define?Mito: um modelo único serve para qualquer empresaMito: modelo operacional é assunto de gestor, e Rolando Bonaccorsi mostra por que nãoComo saber se o modelo está funcionando?

O que o modelo operacional realmente define?

Um modelo operacional de TI é o conjunto de regras que determina como a área transforma demandas em serviços que funcionam. Ele reúne pessoas e responsabilidades, processos, ferramentas, indicadores e formas de governança. Quando um desses elementos falta, os outros compensam de maneira improvisada, e a operação passa a depender de heróis individuais, que sabem de cor onde cada coisa está e resolvem tudo por memória.

Como reforça Rolando Bonaccorsi, o modelo funciona melhor quando responde a perguntas simples e concretas: quem é dono de cada serviço, como uma solicitação chega e é priorizada, o que acontece quando algo falha e quais números provam que a entrega está dentro do combinado. Se uma dessas respostas depende de alguém que só um colega sabe indicar, a área ainda não tem modelo, tem hábitos que se acumularam com o tempo e que ninguém consegue reproduzir quando a equipe muda.

Mito: um modelo único serve para qualquer empresa

A segunda crença comum é a de que existe um modelo pronto, copiado de uma consultoria ou de uma grande empresa, que basta ser aplicado. Em operações de TI de porte médio, por exemplo, a mesma equipe costuma atender sistemas internos, suporte ao usuário e projetos novos, e isso pede um desenho muito diferente do de uma empresa com times separados para cada frente. Copiar a estrutura de uma organização gigante tende a criar camadas, aprovações e reuniões que o negócio não comporta.

Sob a perspectiva de Rolando Bonaccorsi, referências de mercado servem como vocabulário e ponto de partida, nunca como projeto acabado. O que muda de uma empresa para outra é o tamanho da equipe, a criticidade dos sistemas, o grau de terceirização e a tolerância do negócio a paradas. Um modelo bem escolhido nasce do diagnóstico dessas condições e ganha forma aos poucos, com ajustes a cada ciclo, em vez de chegar completo de uma vez.

Mito: modelo operacional é assunto de gestor, e Rolando Bonaccorsi mostra por que não

O terceiro equívoco é tratar o modelo como documento de gestão, guardado em uma pasta e consultado em auditorias. Um modelo que só os gerentes conhecem existe no papel e deixa de existir na prática. Quem atende o chamado, acompanha o monitoramento e acorda de madrugada com um alarme precisa saber qual é o seu papel, a quem recorrer e até onde pode decidir sozinho. Um fluxo de escalonamento que ninguém aprendeu, convenhamos, serve mais como enfeite de parede do que como instrumento de trabalho.

Pela ótica de Rolando Bonaccorsi, a clareza de papéis é o que reduz o tempo perdido nos momentos de tensão. Quando todos sabem quem lidera um incidente, quem comunica à área de negócio e quem registra o que foi feito, a equipe gasta energia resolvendo o problema, e não discutindo de quem é a responsabilidade. Para isso, o modelo precisa ser treinado, revisado e testado em simulações, e não apenas apresentado em uma reunião de lançamento.

Como saber se o modelo está funcionando?

A quarta ideia equivocada é a de que o modelo está pronto quando o desenho é aprovado. Na verdade, ele só se prova em uso, e os sinais costumam aparecer em quatro frentes: a previsibilidade das entregas, a rapidez na resposta a falhas, a qualidade do serviço percebida por quem usa os sistemas e a capacidade de absorver mudanças sem desorganizar a rotina. Indicadores de nível de serviço, os chamados SLAs, acordos que fixam o que se promete entregar e em que prazo, ajudam a medir esses pontos, desde que sejam poucos e tenham dono.

Na leitura de Rolando Bonaccorsi, o erro mais frequente é medir demais e decidir de menos. Um painel com dezenas de números não revela se o modelo funciona, e uma lista curta de indicadores acompanhados com regularidade, discutidos pela equipe e ligados a ações concretas, revela muito mais. Quando um número piora e ninguém sabe quem deve agir, o modelo ainda tem uma lacuna a fechar, e o caminho é voltar às perguntas básicas de responsabilidade, prioridade e resposta a falhas.

O modelo operacional é melhor tratado como algo vivo. Ele muda quando o negócio cresce, quando uma tecnologia nova entra em produção ou quando uma falha grave expõe um ponto cego. Revisar o desenho a cada ciclo, com a participação de quem opera os sistemas, mantém o modelo próximo da realidade e evita que ele envelheça como documento esquecido.

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