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Europa reúne líderes em Bruxelas para definir futuro dos mundos virtuais e da Web 4.0

Por Sigrid Valden 10 de setembro de 2026 11 Min de leitura
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OPENVERSE Summit 2026 discute interoperabilidade, inteligência artificial, privacidade e padrões para construir uma nova geração de ambientes virtuais europeus.

Contents
Por que a Europa está tratando mundos virtuais e Web 4.0 como prioridade?Interoperabilidade, IA e privacidade: quais regras estão sendo discutidas?O que o OPENVERSE Summit pode mudar no futuro do metaverso?Fontes:

A Europa coloca o futuro do metaverso e da chamada Web 4.0 no centro de sua estratégia digital nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026. Bruxelas recebe o OPENVERSE Summit 2026, encontro que reúne representantes das instituições europeias, pesquisadores, empresas de tecnologia, organizações da sociedade civil e integrantes do ecossistema de realidade estendida para discutir como os mundos virtuais deverão evoluir nas próximas décadas. O evento acontece das 9h às 18h e também possui uma experiência virtual paralela para participantes remotos.

O encontro ocorre em um momento em que a União Europeia tenta construir uma alternativa a ecossistemas digitais controlados exclusivamente por grandes plataformas privadas. A estratégia europeia prioriza ambientes abertos, interoperáveis, seguros e centrados nas pessoas, ao mesmo tempo em que busca ampliar a competitividade tecnológica do continente. A parceria europeia para mundos virtuais prevê até €200 milhões de recursos do Horizon Europe, complementados por pelo menos outros €200 milhões dos integrantes da indústria, levando o compromisso público-privado a pelo menos €400 milhões.

A questão discutida em Bruxelas, portanto, vai muito além de óculos de realidade virtual ou avatares. O debate é sobre quem definirá as regras da próxima geração da internet e se usuários poderão circular entre diferentes ambientes digitais sem ficarem presos a plataformas proprietárias.

Por que a Europa está tratando mundos virtuais e Web 4.0 como prioridade?

A Comissão Europeia considera a Web 4.0 e os mundos virtuais elementos importantes da transformação digital que deverá ganhar força na próxima década. A projeção utilizada pela instituição estima que o mercado mundial relacionado aos mundos virtuais possa passar de aproximadamente €27 bilhões em 2022 para mais de €800 bilhões em 2030. Nesse cenário, ambientes tridimensionais e tecnologias imersivas poderão deixar de ser associados principalmente ao entretenimento para ganhar aplicações em indústria, educação, saúde, pesquisa, serviços públicos e atividades criativas.

A estratégia europeia procura impedir que essa infraestrutura seja dominada por poucos ecossistemas fechados. Entre os princípios defendidos estão interoperabilidade, privacidade, segurança, acessibilidade e possibilidade de maior controle dos usuários sobre seus dados. O próprio OPENVERSE foi estruturado com a missão de desenvolver fundamentos para mundos virtuais europeus caracterizados por abertura, transparência, inclusão, responsabilidade ética e sustentabilidade ambiental.

O OPENVERSE Summit leva essas preocupações para uma discussão prática. Uma das sessões desta quinta-feira é dedicada à elaboração de cenários e de um roteiro para mundos virtuais entre 2030 e 2040. Especialistas de indústria, pesquisa e políticas públicas discutem questões tecnológicas, econômicas, sociais e regulatórias que poderão determinar como esses ambientes funcionarão. A versão atualizada desse roadmap está prevista para outubro de 2026 e deverá contribuir para a European Virtual Worlds Partnership.

A iniciativa já avançou institucionalmente. A Comissão Europeia lançou oficialmente a European Partnership for Virtual Worlds em dezembro de 2025, aproximando indústria, universidades, organizações de pesquisa e usuários. Em junho de 2026, a parceria realizou sua primeira reunião oficial para discutir a implementação da estratégia europeia de Web 4.0 e mundos virtuais e os próximos passos para fortalecer a posição tecnológica e industrial do continente.

Interoperabilidade, IA e privacidade: quais regras estão sendo discutidas?

A interoperabilidade é um dos principais temas do encontro. Em um cenário realmente aberto, diferentes mundos virtuais precisariam conseguir trocar informações e utilizar padrões tecnológicos compatíveis. A lógica se aproxima do funcionamento da própria web: um usuário não deveria necessariamente depender de uma única empresa para acessar serviços, conteúdos e experiências digitais. O OPENVERSE considera interoperabilidade, privacidade, segurança e propriedade dos dados pilares para permitir que diferentes ambientes virtuais funcionem de maneira integrada.

Uma sessão específica do Summit discute justamente a lacuna de padronização existente no setor. Entre os assuntos estão padrões relacionados à segurança, publicidade, acessibilidade e presença sintética em ambientes que combinam inteligência artificial e realidade estendida. O programa também estabelece conexões com iniciativas ligadas ao 6G e às organizações responsáveis pela definição de padrões tecnológicos internacionais.

A inteligência artificial adiciona uma nova camada ao problema. Ambientes virtuais poderão incorporar personagens autônomos, assistentes inteligentes e agentes capazes de conversar e agir de maneira cada vez mais convincente. Isso cria oportunidades para educação, trabalho e entretenimento, mas também levanta questões sobre responsabilidade. Se um agente de IA causar dano, induzir um usuário a uma decisão ou coletar informações indevidamente, será necessário determinar quem responde pelo comportamento daquele sistema.

O programa do OPENVERSE inclui discussões sobre responsabilidade de agentes de IA, soberania tecnológica e ética em ambientes imersivos. Um dos debates previstos aborda especificamente a possibilidade de personagens controlados por inteligência artificial coletarem dados relacionados aos movimentos dos usuários. Diferentemente de uma página tradicional da internet, dispositivos de realidade virtual e aumentada podem captar movimentos corporais, direção do olhar, posição física e diferentes formas de interação.

É por isso que privacidade e proteção de dados aparecem de maneira tão relevante. O OPENVERSE desenvolveu ferramentas destinadas a permitir consultas sobre estruturas regulatórias europeias, incluindo GDPR, Digital Services Act, Data Governance Act e AI Act. A intenção é aproximar o desenvolvimento tecnológico das regras que já protegem cidadãos europeus no ambiente digital.

O que o OPENVERSE Summit pode mudar no futuro do metaverso?

O encontro de Bruxelas não criará sozinho uma legislação europeia para o metaverso. Seu impacto está principalmente na construção de roadmaps, padrões, recomendações e instrumentos tecnológicos que poderão orientar decisões posteriores da Comissão Europeia, empresas e organizações de padronização. O Summit também marca a fase final do projeto OPENVERSE, iniciado como uma ação de coordenação e apoio do Horizon Europe e previsto para terminar em outubro de 2026.

Uma das ferramentas desenvolvidas é o OPENVERSE Observatory, concebido para mapear empresas, iniciativas nacionais, projetos e mundos virtuais. O ecossistema também inclui uma metodologia de cocriação, uma base coletiva de conhecimento e instrumentos destinados a organizar informações tecnológicas e regulatórias. A ideia é fazer com que esses recursos continuem sendo utilizados mesmo depois do encerramento formal do projeto.

A Comissão Europeia segue uma estratégia semelhante. Em abril, lançou relatórios finais de seu Virtual Worlds Observatory e um Interactive Data Explorer capaz de mapear atividades relacionadas aos mundos virtuais, distribuição geográfica das empresas, investimentos, tecnologias utilizadas e lacunas de competências digitais. A ferramenta também pretende ajudar governos, pesquisadores e empresas a identificar oportunidades e riscos envolvendo ética, direitos fundamentais, proteção do consumidor e bem-estar social.

Existe também uma disputa econômica. A parceria europeia prevê até €200 milhões do Horizon Europe entre 2025 e 2027, complementados por pelo menos €200 milhões dos integrantes da Virtual Worlds Association. A estratégia pretende estimular pesquisa, inovação, padronização e desenvolvimento de competências, além de diminuir dependências tecnológicas externas.

Para o mercado de metaverso, essa estratégia sinaliza uma mudança relevante. O conceito que ganhou enorme visibilidade no início da década não está necessariamente desaparecendo, mas está sendo reorganizado em torno de termos como mundos virtuais, computação espacial, realidade estendida, gêmeos digitais, inteligência artificial e Web 4.0. Na Europa, o foco também está se deslocando de experiências exclusivamente sociais para aplicações industriais, educacionais, científicas e de serviços públicos.

O OPENVERSE Summit mostra que a discussão europeia agora está menos concentrada em imaginar como será o metaverso e mais preocupada em estabelecer como ele deverá funcionar. Interoperabilidade, padrões abertos, proteção de dados, responsabilidade da inteligência artificial e soberania tecnológica estão se tornando questões centrais antes que esses ambientes alcancem adoção em escala muito maior.

O resultado desse movimento poderá influenciar empresas e usuários fora da União Europeia. Assim como aconteceu com outras regras digitais europeias, padrões criados para um mercado de centenas de milhões de consumidores podem acabar sendo considerados por desenvolvedores internacionais. A disputa pelo futuro do metaverso, portanto, não envolve apenas construir ambientes virtuais mais realistas: envolve definir quem controla esses espaços, quais direitos acompanham seus usuários e quais regras deverão existir quando a internet se tornar cada vez mais imersiva.

Fontes:

  • OPENVERSE Summit 2026 e Agenda: Mais informações sobre o evento e o ecossistema no site oficial do Open Verse.
  • European Partnership for Virtual Worlds: Detalhes sobre a parceria estratégica e o roadmap no portal da Comissão Europeia.
  • Virtual Worlds Observatory e Interactive Data Explorer: Acesso às ferramentas de monitoramento e relatórios analíticos na página da Comissão Europeia.
  • Estratégia Europeia para a Web 4.0: Documentação completa sobre os pilares da estratégia no portal de políticas digitais da UE.
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